O Partido Liberal

Atenção: este é um trabalho de ficção.


Página inicial

O Brasil dos outros 500

 Ordens e organizações


Mesmo depois que, no Brasil, África e Ásia, a maior parte das atividades produtivas do Império tomou a forma cooperativa, o comércio, os transportes, as finanças e algumas indústrias (principalmente a têxtil) continuaram sendo organizadas de forma capitalista. Em Portugal e no Marrocos, onde os quilombos e mutirões tiveram pouca penetração, boa parte da agricultura e de todos os setores industriais continuam sendo basicamente capitalistas, quando não são artesanais. Os dirigentes dessas companhias são mais freqüentemente de origem portuguesa ou sefaradita, mas muitos deles, principalmente no Brasil, são imigrantes europeus, mouros e asiáticos. Há também muitos importantes capitalistas nativos na Índia, Malásia e Marrocos.

A influência das companhias capitalistas luso-brasileiras é limitada, de um lado, pelo poder das cooperativas e, de outro, pelo do Estado Imperial. Embora invejem a esmagadora hegemonia política de que gozam as companhias da Comunidade Holandesa em seus territórios e que lhes permite fazer lucros ilimitados, sua fatia na enorme prosperidade do Império Luso-Brasileiro é suficiente para fazer delas dignas rivais em dimensões e faturamento. As bolsas de Salvador, Rio de Janeiro, Recife e Lisboa são tão movimentadas quanto as de Amsterdã e Nova Amsterdã, embora os lucros sejam mais moderados e estejam menos sujeitos a oscilações bruscas.

A burguesia é o núcleo do Partido Liberal...

Os proprietários dessas companhias, bem como seus funcionários mais ambiciosos, tendem a pensar que não só eles, como também o Império seriam mais prósperos se o capitalismo estivesse tão livre de entraves quanto na Comunidade Holandesa, ou seja, se os impostos fossem mais baixos, se houvesse menos leis protegendo os trabalhadores e se as companhias estivessem sujeitos a menos regulamentos e fiscalização e tivessem o controle total das atividades produtivas.

Pequenos comerciantes, artesãos e intelectuais também têm sido seduzidos por esse ideário liberal. Não é raro que a massa desorganizada dos trabalhadores não engajados no movimento quilombola ou no Partido Popular também vote nos políticos do Partido Liberal que, como o Partido Conservador compra seus votos com favores, obras e outros benefícios pontuais.

Os dirigentes liberais tendem a ser anticlericais, embora não sejam ateus nem frontalmente contrários à religião. Muitos deles pertencem à franco-maçonaria que, no Império Luso-Brasileiro, funciona como um grande clube liberal e também como um contato com a Comunidade Holandesa, o modelo em que o Partido Liberal se inspira.

... mas ela necessita do apoio das classes populares urbanas

A simpatia demonstrada pela casa imperial para com os mutirões e sua tolerância para com o “perigoso” movimento quilombola levaram alguns liberais a se tornarem republicanos, mas a corrente principal do Partido prefere manter a monarquia, mas esvaziar o poder do Imperador, reduzindo-o a uma mera figura decorativa.

Outras bandeiras liberais são a liberdade de comércio, o fim das leis trabalhistas, a redução das despesas sociais do Estado, a abolição dos impostos sobre o lucro, a renda e a propriedade, a liquidação dos mutirões e quilombos deficitários e a venda das empresas estatais, principalmente o Banco do Brasil, a Rede Ferroviária Imperial e o Canal do Panamá.

Também propõe que as terras pertencentes ao Estado e às comunidades primitivas sejam leiloadas. Defende uma política internacional que priorize o livre comércio, principalmente a abertura dos portos da Comunidade Holandesa, da Rússia e do Sacro Império para os produtos luso-brasileiros. Pede também uma diplomacia mais favorável à Comunidade Holandesa e mais liberdade para a operação de empresas estrangeiras, principalmente holandesas, dentro do Império.

O vice-reino de Portugal, a Índia e algumas das grandes cidades portuárias do Brasil – incluindo Recife, Rio de Janeiro, Santos e Bons Ares – são os principais redutos políticos do Partido Liberal, que tem a segunda maior bancada no Senado Imperial.

Outras fontes de poder político do Partido Liberal são suas ligações com a Marinha, que lhe dá mais uma voz dentro do Conselho de Ministros. Por razões históricas e geográficas, os oficiais da marinha tendem a ser recrutados entre famílias ligadas à marinha mercante e muitos marinheiros vêm de portos onde o Partido Liberal é influente.